Plano de negócio é um documento com o objetivo de estruturar as principais idéias e opções que o empreendedor analisará para decidir quanto à viabilidade da empresa a ser criada.
Um projeto ou empreendimento pessoal ou corporativo pode ser estruturado e administrado de diversas maneiras, mas se você pretende buscar capital ou recursos com investidores, bancos incubadoras ou outros órgãos de fomento, ou se pretende convencer outros parceiros a investir na sua idéia, colocar na ponta do lápis o seu plano de negócios passa a ser fundamental.
Existem muitos conceitos de planos de negócios, cada um em seu próprio contexto. No âmbito deste artigo, vamos considerar que o Plano de Negócios é um documento que agrega e sistematiza informação prática e atualizada para a concretização de um projeto e para a previsão e solução de seus problemas.
Como documento em si, o plano de negócios não é dos mais complexos, e existem inúmeros modelos prontos na Internet, embora eles resolvam só a parte mais fácil do problema. Se o que você busca é um guia pronto para fazer download e preencher, verifique este Modelo de Plano de Negócios publicado pela PUC RS, este Modelo de Plano de Negócios disponibilizado pela revista Info, ou ainda o Modelo de plano de negócios simplificado, da fundação Softex.
Mas isto não quer dizer que é fácil fazer um plano de negócios. Pelo contrário: um bom plano de negócios mistura informações sobre os processos do negócio em si (características, partes envolvidas, oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos), previsões e projeções financeiras, análise do negócio, do mercado, fornecedores, concorrentes, parceiros, previsão do fluxo de caixa, necessidades de capital… Em resumo: dados, dados, dados! Você precisa obtê-los de forma atualizada e suficientemente precisa, caso contrário o seu plano de negócios pouco valerá. E é sobre isso que trataremos a seguir.
Como fazer um plano de negócios
Lembre-se de que trata-se de um documento vivo, e não de um árido demonstrativo contábil ou legal. E que uma de suas principais finalidades é convencer (a equipe, os investidores, o banco, os fornecedores, ou até mesmo os clientes potenciais) de que o seu negócio é viável e pode ser vantajoso a eles.
Portanto, ao criar o seu plano de negócios, coloque o foco nestes importantes leitores, e lembre-se de incluir, de forma simples e fácil de encontrar, as respostas às principais dúvidas deles. Se você não sabe quais são, eis algumas sugestões:
Sobre o negócio em si: o que é o negócio (em uma frase!), quais produtos e serviços serão oferecidos, quais as razões que levam a crer que será atingido o sucesso, quais são as oportunidades (já existentes ou que serão criadas) que você percebe e pretende explorar.
Sobre a administração: quem administrará o seu negócio? que experiência e formação essas pessoas têm? que qualificações busca para a equipe? quantos empregados precisará, quais suas atividades e remuneração? onde eles trabalharão? qual será a estrutura organizacional? qual a missão e a visão?
Sobre o mercado: quantos ou quem são os clientes potenciais, onde eles estão, alguns exemplos específicos, como você os atrairá, por que eles escolherão você e não o concorrente, quem serão seus parceiros e fornecedores, quem são os concorrentes, quais os fatores do sucesso atual destes concorrentes, qual o seu diferencial competitivo, qual o seu nicho, qual a sua delimitação geográfica, como você vai promover e divulgar seu negócio, como vai distribuir seu produto.
Sobre economia e finanças: fontes do capital, projeção de faturamento, investimentos e despesas para os 2 primeiros anos (trimestral), projeção de fluxo de caixa mensal para o primeiro ano, volume de negócios necessário para alcançar o ponto de equilíbrio ou o resultado operacional positivo e em quanto tempo você espera alcançá-lo, quais as condições para começar a vender e faturar, e quando você espera alcançá-las, valor do capital imobilizado em instalações e equipamentos, lista de fontes financeiras potenciais, garantias de empréstimo.
Mapas: estado atual, cronograma previsto, dificuldades esperadas, suas soluções e condições.
A dificuldade principal é conseqüência da natureza dos planos de negócio: eles tratam de idéias ainda não realizadas, e assim não podem (de modo geral) se basear em históricos ou em estatśiticas próprias para realizar sua previsão. O grande desafio é conseguir obter dados de organizações semelhantes, ou extrapolar a partir de outros dados, de maneira consistente, objetiva e, principalmente, convincente.
Atenção para o que ficar de fora. Na faculdade, quando me ensinaram pela primeira vez (e superficialmente, claro) a avaliar planos de negócios para análise de investimentos, o professor dizia: “Lembrem-se de encontrar as perguntas cujas respostas ficaram de fora!”. O exemplo dele era simples, mas bem claro: se o plano de negócios é sobre abrir uma pizzaria no litoral, um bom plano vai esclarecer o que vai acontecer com ela quando a temporada de verão acabar, e como ela vai fazer para durar até a próxima temporada. Se vai demitir os garçons e a cozinha, para depois recontratá-los, os custos adicionais com os encargos e Custo Brasil do processo como um todo estarão considerados, junto com a manutenção do imóvel e custos fixos durante o período de inverno. E a ausência deles é o indício de um mau plano - como podem atestar inúmeros donos de empreendimentos de verão que terminam fevereiro com saldo positivo enorme, e em abril descobrem que na verdade estão falidos!
Capriche no resumo executivo. Ele é uma das últimas partes a concluir, mas deve estar bem no início do documento. Muitas pessoas lerão apenas o resumo, e avaliarão por ele se o seu negócio vale ou não a busca de maiores detalhes. Conquiste o leitor em cada linha do seu resumo! Fale nele sobre os objetivos, as razões de sucesso, e apresente os números principais, sem exagerar na densidade das informações.
O plano de negócios não é só para os outros. O processo de construção de um bom plano de negócios é uma forma segura de o empreendedor conhecer os aspectos essenciais que podem levar ao sucesso ou ao fracasso da sua idéia. Ele não descreve apenas os objetivos do negócio, mas também quais serão os passos para a sua realização, e do que eles dependem.
Assim, fazer um plano de negócios bem feito irá obrigar o empreendedor e seus sócios a organizar as idéias sobre a viabilidade de seu negócio, levando-os ao processo de discussão e reflexão da preparação de um documento com o qual todos concordem, trazendo todas as informações essenciais para o sucesso da idéia. Portanto, ele acaba substituindo por números e argumentos as opiniões iniciais, motivadas principalmente pela própria convicção dos empreendedores.
Para saber mais: além dos guias do SEBRAE e entidades públicas, que você encontra gratuitamente na Internet (ou com uma visita ao SEBRAE, que em geral vale muito a pena), recomendo muito a leitura do livro A Arte do Começo: o Guia Definitivo para Iniciar o Seu Projeto, de Guy Kawasaki. Ele é investidor de risco, ganha a vida avaliando os planos de negócios dos mais variados empreendimentos, e resolveu escrever um livro sobre como dar forma à sua idéia - de modo que ele mesmo possa estar disposto a investir nela. A tradução para o português é bem feita, o livro é fácil de ler, um verdadeiro achado.
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terça-feira, 30 de março de 2010
A Demissão é previsível ?
Quem não teme uma demissão, que atire a primeira pedra. Certamente todos nós temos esse receio. Mas existem outros caminhos a percorrer e explorar que são melhores onde estamos, e não damos conta disso. Ou até nos acomodamos com algumas situações atuais. Logicamente que uma demissão envolvem não só nós como as pessoas que estão a nossa volta e não deixa de preocupar à todos. Além de tratar da nossa sobrevivência existem também outras pessoas que dependem do nosso trabalho. Em momentos como esse da demissão, quem nunca ouvir essas frase e outras mais: "Há males que vêm para o bem" , "Deus fecha uma porta mas abre outra melhor" ,"Pimenta nos olhos dos outros é refresco"
*Gutemberg B. de Macêdo, comenta o seguinte a respeito desse nosso momento delicado na nossa vida profissional:
A demissão é uma ameaça sempre presente e constante na vida dos profissionais nos dias atuais, tanto dos maus quanto dos bons; tanto dos incompetentes quanto dos competentes; tanto dos preparados quanto dos despreparados. Não há exceção. Todos estão sujeitos à sua fúria, não importam as suas causas e circunstâncias. A maioria dos profissionais poderá até mesmo sair de sua residência alegre e feliz para o trabalho pela manhã, porém voltar para casa no final do dia, triste, magoado, inseguro e com a sua auto-estima destroçada. Eles foram demitidos!Infelizmente, muitos profissionais se comportam de maneira displicente quanto a essa realidade e ameaça. Até bem pouco tempo atrás, as pessoas afirmavam que a única certeza que os homens tinham era a certeza da morte - "O salário do pecado é a morte" -, ensinavam os teólogos. No entanto, hoje temos de admitir e afirmar que a demissão é tão certa quanto à própria morte. Ela paira sobre a cabeça de todos.As novas regras do mercado de trabalho mudaram de forma radical. Entretanto, ainda hoje, muitos profissionais não se deram conta dessa transformação. Eles continuam como os homens descritos no relato bíblico nos dias de Noé - a história do dilúvio - descrentes de sua consumação. William Bridges, renomado consultor norte-americano, em seu trabalho, "Job Shift", as definiu nos seguintes termos:- Todo empregado é um trabalhador contingente, não apenas os trabalhadores em tempo não-integral e sob contrato. O emprego de todos é contingencial aos resultados que a organização atingiu;- Os trabalhadores precisam considerar-se como pessoas cujo valor para a organização deve ser demonstrada em cada situação sucessiva em que se encontrarem;- À luz de sua contingência, os trabalhadores precisam desenvolver uma mentalidade, uma abordagem ao seu trabalho e um modo de administrar suas próprias carreiras que mais se assemelhe à de um vendedor externo (prestador de serviço) do que à de um empregado tradicional. É prudente que os trabalhadores pensem que estão no seu próprio negócio e que, na verdade, suas tarefas lhes foram entregues pela empresa como um serviço terceirizado;-
Os trabalhadores devem agir como pessoas que estão num negócio próprio e manter um plano de autodesenvolvimento de carreira, assumir a responsabilidade de investir em fundos de seguro-saúde e aposentadoria e renegociar seus acordos de remuneração com a organização quando e se as necessidades organizacionais mudarem;- E, por último, eles precisarão estar prontos para passar de um projeto para outro dentro da mesma organização, também devem esperar que, mais frequentemente do que no passado, precisarão mudar de uma organização para outra. A velha piada sobre os trabalhadores das indústrias expressa de maneira jocosa esse novo quadro do mercado de trabalho.Dois empregados conversavam sobre como as novas regras do mercado poderiam afetá-los; um deles questionou: "Você acha que o seu emprego está em perigo? Ao que o colega retrucou: "Não. Meu emprego está muito seguro. Eu é que sou dispensável". (Speaker's Library of Business Stories, Anedoctes, and humor, de Joe Griffith, 1990, pág. 182) Caro leitor, a demissão é previsível, sim. O primeiro passo para a sobrevivência é descobrir se existe risco de você perder seu emprego atual. Uma vez definido o grau de risco a que está exposto, você poderá preparar um plano e agir inteligente e apropriadamente para assegurar a sua permanência na empresa, se e quando possível. Para ajudá-lo nessa tarefa - determinar o quanto está em risco o seu emprego -, preparei as seguintes perguntas. Ao respondê-las, preste muita atenção ao número de vezes em que responde de maneira afirmativa. Se as suas respostas foram de natureza afirmativa, prepare-se. A sua demissão pode ocorrer a qualquer momento.
01) Sua empresa tem problemas de fluxo de caixa ou está endividada?
02) A diretoria já tentou induzir funcionários com mais tempo de casa a se aposentarem mais cedo?
03) Existe proibição de novas contratações para os próximos seis meses?
04) A sua companhia passa por processo de fusão, aquisição ou de reengenharia?
05) O seu gerente, ou o diretor dele, foi demitido?
06) A diretoria anunciou medidas drásticas de contenção de despesas, inclusive do cafezinho?
07) O seu gerente prevê o término de um contrato sem promessa de renovação ou extensão?
08) Na sua última avaliação sua nota foi abaixo da média?
09) A empresa parou de investir em propaganda dos seus produtos?
10) A sua companhia anunciou perdas nos últimos trimestres?
11) O seu gerente está se encontrando com o gerente de recursos humanos?
12) Você não é mais convidado para as reuniões das quais participava anteriormente?
13) O seu diretor está prevendo para breve nova redução no quadro de funcionários?
14) Você é a pessoa mais bem paga no seu grupo, enquanto que existem outras pessoas em níveis inferiores que são capazes de desempenhar o seu trabalho?
15) Você tem um relacionamento distante ou conflituoso com seu gestor?
16) Você desenvolve tarefas que não contribuem diretamente para os lucros da companhia - "fake work"?
17) Você perdeu o interesse no seu trabalho e o executa com indiferença, displicência e falta de paixão? O mundo do trabalho muda a cada dia. Portanto, seja sábio. Nenhuma empresa tem obrigação de lhe oferecer um emprego para toda vida.
*(Gutemberg B. de Macêdo)
O Medo de Comunicar abertamente à família, sobre a demissão.Este sentimento decorre de vários fatores: o demitido não sabe qual será a reação da família quanto à notícia de sua demissão - se de apoio e compreensão ou de julgamento e cobranças; o demitido não deseja naquele instante jogar sobre os membros de sua família sua própria frustração e dor - ele prefere sofrê-las sozinho; e, em outras circunstâncias, o demitido sabe que a simples comunicação de sua demissão será a fagulha que faltara, para colocar em chamas o próprio casamento.A demissão, em nossa visão e vivência consultiva, é assunto por demais importante e sério para ser escondido dos membros da própria família. Neste caso, o demitido deve reunir os membros de sua família - esposa e filhos - e participar-lhes o ocorrido. Ele não deve esconder nada. Afinal, é nesse momento que necessitará de apoio, carinho, compreensão, equilíbrio emocional e incentivo. Quando esses elementos estão ausentes, fica difícil para ele se concentrar naquelas atividades que precisam ser feitas ao longo de sua peregrinação - a busca e conquista de seu novo trabalho.
O testemunho de um diretor de importante empresa multinacional a esse respeito contribui para fortalecer o que desejamos passar a nossos leitores: "Quem mais se beneficiou durante todo o processo de minha demissão e outplacement foram os meus três filhos, pois os problemas passaram a ser discutidos em maior profundidade e envolvimento; foi fortalecida a união entre pais e filhos; e também, foi importante vê-los se reposicionarem com relação ao materialismo consumista. Não é que eles deixaram de querer e ambicionar as coisas, mas em saber qual a melhor a hora para persegui-las. Quero frisar ainda, que eu e minha esposa revisamos muitas de nossas posições e valores. Tudo isso contribuiu enormemente para o enriquecimento da família. Sem dúvida alguma, o tratamento honesto e transparente da minha demissão contribuiu para que isto acontecesse".
Portanto, sugerimos que nessa fase de sua vida adote o seguinte comportamento:- Continue a desenvolver as atividades sociais que sempre cultivou com a sua família.- Escolha uma noite durante a semana, reúne toda a sua família à mesa e discuta um assunto relevante para todos. Acenda a lâmpada do conhecimento.- Não ocupe o espaço de sua esposa no lar. Respeite-o e observe os seus limites. Com essa atitude você evitará atritos desnecessários.- Cultive e preserve o seu bom humor. Ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa amargurada e mal humorada.- Exercite a sua calma e paciência. Lembre-se que tudo tem o seu tempo certo e nada acontece por acaso. Portanto, não há porque se desesperar se as coisas não acontecem da maneira e no ritmo que você deseja.- Valorize sua esposa. Ela está ao seu lado sempre - você pode contar com ela. É bem provável que muitas daquelas pessoas que você julgava serem seus amigos desapareçam nesse momento. São os amigos de conveniência.- Evite no lar a exposição e discussão sobre assuntos que o deixam triste e deprimido. Concentre-se em assuntos que o levam para cima.Caro leitor, transforme sua demissão em oportunidade para crescimento pessoal e fortalecimento dos laços familiares. Se você tiver essas equações resolvidas, tudo o mais automaticamente se ajustará.
*Gutemberg B. de Macêdo é presidente da Gutemberg Consultores e autor de vários livros, entre eles o recém lançado "O princípio da sabedoria - Lições de Salomão para o bem viver" (2008); "Fui demitido. E agora? A demissão não é o fim"; "Outplacement - A arte e a ciência da recolocação". Em 1993 o livro "Fui demitido. E agora? A demissão não é o fim" foi contemplado com o prêmio Jabuti de Cultura como melhor livro na categoria "Economia, Administração, Negócios e Direito", outorgado pela Câmara Brasileira do Livro. Gutemberg ministra conferências e seminários em empresas públicas, privadas e universidades, com palestras voltadas aos mais diferentes temas na área de Recursos Humanos.
*Gutemberg B. de Macêdo, comenta o seguinte a respeito desse nosso momento delicado na nossa vida profissional:
A demissão é uma ameaça sempre presente e constante na vida dos profissionais nos dias atuais, tanto dos maus quanto dos bons; tanto dos incompetentes quanto dos competentes; tanto dos preparados quanto dos despreparados. Não há exceção. Todos estão sujeitos à sua fúria, não importam as suas causas e circunstâncias. A maioria dos profissionais poderá até mesmo sair de sua residência alegre e feliz para o trabalho pela manhã, porém voltar para casa no final do dia, triste, magoado, inseguro e com a sua auto-estima destroçada. Eles foram demitidos!Infelizmente, muitos profissionais se comportam de maneira displicente quanto a essa realidade e ameaça. Até bem pouco tempo atrás, as pessoas afirmavam que a única certeza que os homens tinham era a certeza da morte - "O salário do pecado é a morte" -, ensinavam os teólogos. No entanto, hoje temos de admitir e afirmar que a demissão é tão certa quanto à própria morte. Ela paira sobre a cabeça de todos.As novas regras do mercado de trabalho mudaram de forma radical. Entretanto, ainda hoje, muitos profissionais não se deram conta dessa transformação. Eles continuam como os homens descritos no relato bíblico nos dias de Noé - a história do dilúvio - descrentes de sua consumação. William Bridges, renomado consultor norte-americano, em seu trabalho, "Job Shift", as definiu nos seguintes termos:- Todo empregado é um trabalhador contingente, não apenas os trabalhadores em tempo não-integral e sob contrato. O emprego de todos é contingencial aos resultados que a organização atingiu;- Os trabalhadores precisam considerar-se como pessoas cujo valor para a organização deve ser demonstrada em cada situação sucessiva em que se encontrarem;- À luz de sua contingência, os trabalhadores precisam desenvolver uma mentalidade, uma abordagem ao seu trabalho e um modo de administrar suas próprias carreiras que mais se assemelhe à de um vendedor externo (prestador de serviço) do que à de um empregado tradicional. É prudente que os trabalhadores pensem que estão no seu próprio negócio e que, na verdade, suas tarefas lhes foram entregues pela empresa como um serviço terceirizado;-
Os trabalhadores devem agir como pessoas que estão num negócio próprio e manter um plano de autodesenvolvimento de carreira, assumir a responsabilidade de investir em fundos de seguro-saúde e aposentadoria e renegociar seus acordos de remuneração com a organização quando e se as necessidades organizacionais mudarem;- E, por último, eles precisarão estar prontos para passar de um projeto para outro dentro da mesma organização, também devem esperar que, mais frequentemente do que no passado, precisarão mudar de uma organização para outra. A velha piada sobre os trabalhadores das indústrias expressa de maneira jocosa esse novo quadro do mercado de trabalho.Dois empregados conversavam sobre como as novas regras do mercado poderiam afetá-los; um deles questionou: "Você acha que o seu emprego está em perigo? Ao que o colega retrucou: "Não. Meu emprego está muito seguro. Eu é que sou dispensável". (Speaker's Library of Business Stories, Anedoctes, and humor, de Joe Griffith, 1990, pág. 182) Caro leitor, a demissão é previsível, sim. O primeiro passo para a sobrevivência é descobrir se existe risco de você perder seu emprego atual. Uma vez definido o grau de risco a que está exposto, você poderá preparar um plano e agir inteligente e apropriadamente para assegurar a sua permanência na empresa, se e quando possível. Para ajudá-lo nessa tarefa - determinar o quanto está em risco o seu emprego -, preparei as seguintes perguntas. Ao respondê-las, preste muita atenção ao número de vezes em que responde de maneira afirmativa. Se as suas respostas foram de natureza afirmativa, prepare-se. A sua demissão pode ocorrer a qualquer momento.
01) Sua empresa tem problemas de fluxo de caixa ou está endividada?
02) A diretoria já tentou induzir funcionários com mais tempo de casa a se aposentarem mais cedo?
03) Existe proibição de novas contratações para os próximos seis meses?
04) A sua companhia passa por processo de fusão, aquisição ou de reengenharia?
05) O seu gerente, ou o diretor dele, foi demitido?
06) A diretoria anunciou medidas drásticas de contenção de despesas, inclusive do cafezinho?
07) O seu gerente prevê o término de um contrato sem promessa de renovação ou extensão?
08) Na sua última avaliação sua nota foi abaixo da média?
09) A empresa parou de investir em propaganda dos seus produtos?
10) A sua companhia anunciou perdas nos últimos trimestres?
11) O seu gerente está se encontrando com o gerente de recursos humanos?
12) Você não é mais convidado para as reuniões das quais participava anteriormente?
13) O seu diretor está prevendo para breve nova redução no quadro de funcionários?
14) Você é a pessoa mais bem paga no seu grupo, enquanto que existem outras pessoas em níveis inferiores que são capazes de desempenhar o seu trabalho?
15) Você tem um relacionamento distante ou conflituoso com seu gestor?
16) Você desenvolve tarefas que não contribuem diretamente para os lucros da companhia - "fake work"?
17) Você perdeu o interesse no seu trabalho e o executa com indiferença, displicência e falta de paixão? O mundo do trabalho muda a cada dia. Portanto, seja sábio. Nenhuma empresa tem obrigação de lhe oferecer um emprego para toda vida.
*(Gutemberg B. de Macêdo)
O Medo de Comunicar abertamente à família, sobre a demissão.Este sentimento decorre de vários fatores: o demitido não sabe qual será a reação da família quanto à notícia de sua demissão - se de apoio e compreensão ou de julgamento e cobranças; o demitido não deseja naquele instante jogar sobre os membros de sua família sua própria frustração e dor - ele prefere sofrê-las sozinho; e, em outras circunstâncias, o demitido sabe que a simples comunicação de sua demissão será a fagulha que faltara, para colocar em chamas o próprio casamento.A demissão, em nossa visão e vivência consultiva, é assunto por demais importante e sério para ser escondido dos membros da própria família. Neste caso, o demitido deve reunir os membros de sua família - esposa e filhos - e participar-lhes o ocorrido. Ele não deve esconder nada. Afinal, é nesse momento que necessitará de apoio, carinho, compreensão, equilíbrio emocional e incentivo. Quando esses elementos estão ausentes, fica difícil para ele se concentrar naquelas atividades que precisam ser feitas ao longo de sua peregrinação - a busca e conquista de seu novo trabalho.
O testemunho de um diretor de importante empresa multinacional a esse respeito contribui para fortalecer o que desejamos passar a nossos leitores: "Quem mais se beneficiou durante todo o processo de minha demissão e outplacement foram os meus três filhos, pois os problemas passaram a ser discutidos em maior profundidade e envolvimento; foi fortalecida a união entre pais e filhos; e também, foi importante vê-los se reposicionarem com relação ao materialismo consumista. Não é que eles deixaram de querer e ambicionar as coisas, mas em saber qual a melhor a hora para persegui-las. Quero frisar ainda, que eu e minha esposa revisamos muitas de nossas posições e valores. Tudo isso contribuiu enormemente para o enriquecimento da família. Sem dúvida alguma, o tratamento honesto e transparente da minha demissão contribuiu para que isto acontecesse".
Portanto, sugerimos que nessa fase de sua vida adote o seguinte comportamento:- Continue a desenvolver as atividades sociais que sempre cultivou com a sua família.- Escolha uma noite durante a semana, reúne toda a sua família à mesa e discuta um assunto relevante para todos. Acenda a lâmpada do conhecimento.- Não ocupe o espaço de sua esposa no lar. Respeite-o e observe os seus limites. Com essa atitude você evitará atritos desnecessários.- Cultive e preserve o seu bom humor. Ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa amargurada e mal humorada.- Exercite a sua calma e paciência. Lembre-se que tudo tem o seu tempo certo e nada acontece por acaso. Portanto, não há porque se desesperar se as coisas não acontecem da maneira e no ritmo que você deseja.- Valorize sua esposa. Ela está ao seu lado sempre - você pode contar com ela. É bem provável que muitas daquelas pessoas que você julgava serem seus amigos desapareçam nesse momento. São os amigos de conveniência.- Evite no lar a exposição e discussão sobre assuntos que o deixam triste e deprimido. Concentre-se em assuntos que o levam para cima.Caro leitor, transforme sua demissão em oportunidade para crescimento pessoal e fortalecimento dos laços familiares. Se você tiver essas equações resolvidas, tudo o mais automaticamente se ajustará.
*Gutemberg B. de Macêdo é presidente da Gutemberg Consultores e autor de vários livros, entre eles o recém lançado "O princípio da sabedoria - Lições de Salomão para o bem viver" (2008); "Fui demitido. E agora? A demissão não é o fim"; "Outplacement - A arte e a ciência da recolocação". Em 1993 o livro "Fui demitido. E agora? A demissão não é o fim" foi contemplado com o prêmio Jabuti de Cultura como melhor livro na categoria "Economia, Administração, Negócios e Direito", outorgado pela Câmara Brasileira do Livro. Gutemberg ministra conferências e seminários em empresas públicas, privadas e universidades, com palestras voltadas aos mais diferentes temas na área de Recursos Humanos.
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