terça-feira, 30 de março de 2010

A Demissão é previsível ?

Quem não teme uma demissão, que atire a primeira pedra. Certamente todos nós temos esse receio. Mas existem outros caminhos a percorrer e explorar que são melhores onde estamos, e não damos conta disso. Ou até nos acomodamos com algumas situações atuais. Logicamente que uma demissão envolvem não só nós como as pessoas que estão a nossa volta e não deixa de preocupar à todos. Além de tratar da nossa sobrevivência existem também outras pessoas que dependem do nosso trabalho. Em momentos como esse da demissão, quem nunca ouvir essas frase e outras mais: "Há males que vêm para o bem" , "Deus fecha uma porta mas abre outra melhor" ,"Pimenta nos olhos dos outros é refresco"



*Gutemberg B. de Macêdo, comenta o seguinte a respeito desse nosso momento delicado na nossa vida profissional:


A demissão é uma ameaça sempre presente e constante na vida dos profissionais nos dias atuais, tanto dos maus quanto dos bons; tanto dos incompetentes quanto dos competentes; tanto dos preparados quanto dos despreparados. Não há exceção. Todos estão sujeitos à sua fúria, não importam as suas causas e circunstâncias. A maioria dos profissionais poderá até mesmo sair de sua residência alegre e feliz para o trabalho pela manhã, porém voltar para casa no final do dia, triste, magoado, inseguro e com a sua auto-estima destroçada. Eles foram demitidos!Infelizmente, muitos profissionais se comportam de maneira displicente quanto a essa realidade e ameaça. Até bem pouco tempo atrás, as pessoas afirmavam que a única certeza que os homens tinham era a certeza da morte - "O salário do pecado é a morte" -, ensinavam os teólogos. No entanto, hoje temos de admitir e afirmar que a demissão é tão certa quanto à própria morte. Ela paira sobre a cabeça de todos.As novas regras do mercado de trabalho mudaram de forma radical. Entretanto, ainda hoje, muitos profissionais não se deram conta dessa transformação. Eles continuam como os homens descritos no relato bíblico nos dias de Noé - a história do dilúvio - descrentes de sua consumação. William Bridges, renomado consultor norte-americano, em seu trabalho, "Job Shift", as definiu nos seguintes termos:- Todo empregado é um trabalhador contingente, não apenas os trabalhadores em tempo não-integral e sob contrato. O emprego de todos é contingencial aos resultados que a organização atingiu;- Os trabalhadores precisam considerar-se como pessoas cujo valor para a organização deve ser demonstrada em cada situação sucessiva em que se encontrarem;- À luz de sua contingência, os trabalhadores precisam desenvolver uma mentalidade, uma abordagem ao seu trabalho e um modo de administrar suas próprias carreiras que mais se assemelhe à de um vendedor externo (prestador de serviço) do que à de um empregado tradicional. É prudente que os trabalhadores pensem que estão no seu próprio negócio e que, na verdade, suas tarefas lhes foram entregues pela empresa como um serviço terceirizado;-

Os trabalhadores devem agir como pessoas que estão num negócio próprio e manter um plano de autodesenvolvimento de carreira, assumir a responsabilidade de investir em fundos de seguro-saúde e aposentadoria e renegociar seus acordos de remuneração com a organização quando e se as necessidades organizacionais mudarem;- E, por último, eles precisarão estar prontos para passar de um projeto para outro dentro da mesma organização, também devem esperar que, mais frequentemente do que no passado, precisarão mudar de uma organização para outra. A velha piada sobre os trabalhadores das indústrias expressa de maneira jocosa esse novo quadro do mercado de trabalho.Dois empregados conversavam sobre como as novas regras do mercado poderiam afetá-los; um deles questionou: "Você acha que o seu emprego está em perigo? Ao que o colega retrucou: "Não. Meu emprego está muito seguro. Eu é que sou dispensável". (Speaker's Library of Business Stories, Anedoctes, and humor, de Joe Griffith, 1990, pág. 182) Caro leitor, a demissão é previsível, sim. O primeiro passo para a sobrevivência é descobrir se existe risco de você perder seu emprego atual. Uma vez definido o grau de risco a que está exposto, você poderá preparar um plano e agir inteligente e apropriadamente para assegurar a sua permanência na empresa, se e quando possível. Para ajudá-lo nessa tarefa - determinar o quanto está em risco o seu emprego -, preparei as seguintes perguntas. Ao respondê-las, preste muita atenção ao número de vezes em que responde de maneira afirmativa. Se as suas respostas foram de natureza afirmativa, prepare-se. A sua demissão pode ocorrer a qualquer momento.



01) Sua empresa tem problemas de fluxo de caixa ou está endividada?
02) A diretoria já tentou induzir funcionários com mais tempo de casa a se aposentarem mais cedo?
03) Existe proibição de novas contratações para os próximos seis meses?
04) A sua companhia passa por processo de fusão, aquisição ou de reengenharia?
05) O seu gerente, ou o diretor dele, foi demitido?
06) A diretoria anunciou medidas drásticas de contenção de despesas, inclusive do cafezinho?
07) O seu gerente prevê o término de um contrato sem promessa de renovação ou extensão?
08) Na sua última avaliação sua nota foi abaixo da média?
09) A empresa parou de investir em propaganda dos seus produtos?
10) A sua companhia anunciou perdas nos últimos trimestres?
11) O seu gerente está se encontrando com o gerente de recursos humanos?
12) Você não é mais convidado para as reuniões das quais participava anteriormente?
13) O seu diretor está prevendo para breve nova redução no quadro de funcionários?
14) Você é a pessoa mais bem paga no seu grupo, enquanto que existem outras pessoas em níveis inferiores que são capazes de desempenhar o seu trabalho?
15) Você tem um relacionamento distante ou conflituoso com seu gestor?
16) Você desenvolve tarefas que não contribuem diretamente para os lucros da companhia - "fake work"?
17) Você perdeu o interesse no seu trabalho e o executa com indiferença, displicência e falta de paixão? O mundo do trabalho muda a cada dia. Portanto, seja sábio. Nenhuma empresa tem obrigação de lhe oferecer um emprego para toda vida.
*(Gutemberg B. de Macêdo)



O Medo de Comunicar abertamente à família, sobre a demissão.Este sentimento decorre de vários fatores: o demitido não sabe qual será a reação da família quanto à notícia de sua demissão - se de apoio e compreensão ou de julgamento e cobranças; o demitido não deseja naquele instante jogar sobre os membros de sua família sua própria frustração e dor - ele prefere sofrê-las sozinho; e, em outras circunstâncias, o demitido sabe que a simples comunicação de sua demissão será a fagulha que faltara, para colocar em chamas o próprio casamento.A demissão, em nossa visão e vivência consultiva, é assunto por demais importante e sério para ser escondido dos membros da própria família. Neste caso, o demitido deve reunir os membros de sua família - esposa e filhos - e participar-lhes o ocorrido. Ele não deve esconder nada. Afinal, é nesse momento que necessitará de apoio, carinho, compreensão, equilíbrio emocional e incentivo. Quando esses elementos estão ausentes, fica difícil para ele se concentrar naquelas atividades que precisam ser feitas ao longo de sua peregrinação - a busca e conquista de seu novo trabalho.
O testemunho de um diretor de importante empresa multinacional a esse respeito contribui para fortalecer o que desejamos passar a nossos leitores: "Quem mais se beneficiou durante todo o processo de minha demissão e outplacement foram os meus três filhos, pois os problemas passaram a ser discutidos em maior profundidade e envolvimento; foi fortalecida a união entre pais e filhos; e também, foi importante vê-los se reposicionarem com relação ao materialismo consumista. Não é que eles deixaram de querer e ambicionar as coisas, mas em saber qual a melhor a hora para persegui-las. Quero frisar ainda, que eu e minha esposa revisamos muitas de nossas posições e valores. Tudo isso contribuiu enormemente para o enriquecimento da família. Sem dúvida alguma, o tratamento honesto e transparente da minha demissão contribuiu para que isto acontecesse".

Portanto, sugerimos que nessa fase de sua vida adote o seguinte comportamento:- Continue a desenvolver as atividades sociais que sempre cultivou com a sua família.- Escolha uma noite durante a semana, reúne toda a sua família à mesa e discuta um assunto relevante para todos. Acenda a lâmpada do conhecimento.- Não ocupe o espaço de sua esposa no lar. Respeite-o e observe os seus limites. Com essa atitude você evitará atritos desnecessários.- Cultive e preserve o seu bom humor. Ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa amargurada e mal humorada.- Exercite a sua calma e paciência. Lembre-se que tudo tem o seu tempo certo e nada acontece por acaso. Portanto, não há porque se desesperar se as coisas não acontecem da maneira e no ritmo que você deseja.- Valorize sua esposa. Ela está ao seu lado sempre - você pode contar com ela. É bem provável que muitas daquelas pessoas que você julgava serem seus amigos desapareçam nesse momento. São os amigos de conveniência.- Evite no lar a exposição e discussão sobre assuntos que o deixam triste e deprimido. Concentre-se em assuntos que o levam para cima.Caro leitor, transforme sua demissão em oportunidade para crescimento pessoal e fortalecimento dos laços familiares. Se você tiver essas equações resolvidas, tudo o mais automaticamente se ajustará.



*Gutemberg B. de Macêdo é presidente da Gutemberg Consultores e autor de vários livros, entre eles o recém lançado "O princípio da sabedoria - Lições de Salomão para o bem viver" (2008); "Fui demitido. E agora? A demissão não é o fim"; "Outplacement - A arte e a ciência da recolocação". Em 1993 o livro "Fui demitido. E agora? A demissão não é o fim" foi contemplado com o prêmio Jabuti de Cultura como melhor livro na categoria "Economia, Administração, Negócios e Direito", outorgado pela Câmara Brasileira do Livro. Gutemberg ministra conferências e seminários em empresas públicas, privadas e universidades, com palestras voltadas aos mais diferentes temas na área de Recursos Humanos.